segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Auto-re-trato

Magia: um poder que saía pelas minhas mãos,
mas que nem sai mais.
O céu e o inferno que existem dentro de mim,
mas que nem existem.

Dois olhos: um, que é o sol; o outro,
que é a lua.
Dois braços: um, que é o peixe branco; o outro,
o peixe negro.

Pés que alternam jangada e charrete.
Coração, que é moinho e vento.

Pensamentos: nebulosos
como nebulosas.

Amanheço no mesmo instante que minha estrela-mãe se põe.
Chovo, ao mesmo tempo em que o sol ainda brilha:
arco-íris!

Ser feliz é um estado de não-ser;
uma sabedoria de compreender a tristeza.

Bato numa porta: atendo.
Eu também sou o mordomo,
eu também sou o Senhor.

Aviso-me que eu mesmo venho vindo conquistar minha morada.

Uma parte de mim quer guerra; outra parte, quer paz.
Que parte de mim que erra, eu já nem me importo mais.

Puxo um cobertorzinho: a noite é longa,
o tempo é frio.

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